Além de Mesão Frio
um conto em linha, por Ana Sabino

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Quando Beatriz abre a portada da janela vê uma vinha; eu vejo o lugar das minhas brincadeiras. Aliás, na verdade, eu não sei bem o que ela vê. Se a minha visão está tão toldada pela experiência de estar ali, pelos anos ali passados que se acumulam como camadas, como cataratas instaladas nas coisas e não nas córneas, o que verá ela? Se a minha visão está saturada de passado, a visão dela estará prenha de futuro? Terá ela planos para o pinheiro manso que se ergue ao fundo? Verá ela crianças a brincar na vinha, mas não eu e os meus idos amigos, mas as nossas?