Além de Mesão Frio
um conto em linha, por Ana Sabino

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Fazíamos o mesmo jogo de esconde-esconde nas vinhas, entre os amigos. Um de nós esperava na parte de trás da casa, e quando se ouvia um grito, já sabíamos que ele vinha atrás de nós, e cada um parava onde estava e debruçava-se até ficar tapado pela ramagem. Na primavera, encontravamo-nos uns aos outros em dez minutos; pelo final do verão, já era impossível ver alguém, e, se não fosse o nosso aborrecimento, que nos fazia ir correndo de um esconderijo para outro, tornando-nos vulneráveis por momentos, passávamos ali ainda mais tempo do que as longas tardes que já eram empregues naquele exercício de ver e tentar não ser visto.